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Livro Arte Afro Brasileira

Olá a todos,

Caros, é com grande prazer que escrevo sobre o livro Black Art in Brazil: Expressions of Identity, da pesquisadora – que já se tornou amiga há muito tempo – Kimberly Cleveland,  Professora Assistente da Georgia State University. E adivinhem só quem é o capítulo seis do livro? Um doce para quem gritou meu nome!

Mas deixando a corujice de lado, é um trabalho extremamente bem fundamentado. A única questão que incomoda é que um livro como este saia antes fora do Brasil. Fora alguns estudos como o do Roberto Conduro e, claro, os textos publicados pelo Museu AfroBrasil, ainda estamos engatinhando por aqui, as investigações acabam ficando só no âmbito acadêmico, enfim, ainda precisamos perceber que este é um problema que aflige o país e que deve ser discutido, pensado, repensado e publicado em todas as mídias possíveis.

Mas nada de tristeza, hoje o dia é de alegria. O livro deverá ser lançado no próximo mês e poderá ser comprado também pela Amazon. Os dados, e a bela capa, com uma obra do saudoso Abdias do Nascimento, estão abaixo. A foto do livro é do queridão Celso Andrade, só para variar.

Bjão a todos,

Livro Arte Afro Brasileira. Foto: Celso Andrade.
Livro Arte Afro Brasileira. Foto: Celso Andrade.

Serviço:

Black Art in Brazil: Expressions of Identity

Kimberly L. Cleveland

University Press of Florida. ISBN 978-0-8130-4476-7

Textos de minha autoria

Olá a todos,

Algumas pessoas tem perguntado sobre textos sobre o meu trabalho. Na realidade, havia prometido postar alguma coisa sobre isto.

Estou negociando com algumas pessoas para colocar seus textos sobre meu trabalho. Em alguns casos irei colocar links de textos interessantes sobre ele. Além disso, irei colocar alguns dos meus escritos, e começo com os textos abaixo.

Espero que apreciem.

Rosana

A RESPEITO DOS TRABALHOS EXPOSTOS
Este texto foi produzido para o catálogo do Panorama 97 – MAM SP, sobre, dentre outros, o trabalho abaixo.

Imagem da série Bastidores. Imagem transferida sobre tecido, bastidor e linha de costura. 30cm diametro. 1997.

Sempre pensei em arte como um sistema que devesse ser sincero. Para mim, a arte deve servir às necessidades profundas de quem a produz, senão corre o risco de tornar-se superficial. O artista deve sempre trabalhar com as coisas que o tocam profundamente. Se lhe toca o azul, trabalhe, pois, com o azul. Se lhe tocam os problemas relacionados com a sua condição no mundo, trabalhe então com esses problemas.

No meu caso, tocaram-me sempre as questões referentes à minha condição de mulher e negra. Olhar no espelho e me localizar em um mundo que muitas vezes se mostra preconceituoso e hostil é um desafio diário. Aceitar as regras impostas por um padrão de beleza ou de comportamento que traz muito de preconceito, velado ou não, ou discutir esses padrões, eis a questão.

Dentro desse pensar, faz parte do meu fazer artístico apropriar-me de objetos do cotidiano ou elementos pouco valorizados para produzir meus trabalhos. Objetos banais, sem importância. Utilizar-me de objetos do domínio quase exclusivo das mulheres. Utilizar-me de tecidos e linhas. Linhas que modificam o sentido, costurando novos significados, transformando um objeto banal, ridículo, alterando-o, tornando-o um elemento de violência, de repressão. O fio que torce, puxa, modifica o formato do rosto, produzindo bocas que não gritam, dando nós na garganta. Olhos costurado, fechados para o mundo e, principalmente, para sua condição no mundo.

Apropriar-me do que é recusado e malvisto. Cabelos. Cabelo “ruim”, “pixaim”, “duro”. Cabelo que dá nó. Cabelos longe da maciez da seda, longe do brilho dos comerciais de shampoo. Cabelos de negra. Cabelos vistos aqui como elementos classificatórios, que distinguem entre o bom e o ruim, o bonito e o feio.

Pensar em minha condição no mundo por intermédio de meu trabalho. Pensar sobre as questões de ser mulher, sobre as questões da minha origem, gravadas na cor da minha pele, na forma dos meus cabelos. Gritar, mesmo que por outras bocas estampadas no tecido ou outros nomes na parede. Este tem sido meu fazer, meu desafio, minha busca.

Rosana Paulino, 1997

TEXTOS

Finalmente estou iniciando a atualização do blog! Sendo assim, alguns textos – meus e de outros autores – serão postados a pedidos.

Logo, eles aparecerão também em inglês. É só aguardar.

Abaixo vai o texto 1, uma minibiografia para iniciar.

MINI BIOGRAFIA ROSANA PAULINO

Rosana Paulino vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Desde o início de sua carreira Rosana vem se destacando por sua produção ligada a questões sociais, étnicas e de gênero. Seus trabalhos têm como foco principal a posição da mulher negra dentro da sociedade brasileira. A artista participou de diversas exposições, tanto no Brasil como no exterior.

Em 1998 a artista viaja para Londres com bolsa de estudos do governo brasileiro para especialização em gravura no London Print Studio. Atualmente, Rosana é doutoranda em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da USP.