Arquivos mensais: julho 2009

Links com textos sobre meu trabalho

Mulher em negro. Desenho da série Ovos. Grafite, aquarela e nanquim sobre papel.
Olá
Abaixo dois links com textos interessantes que abordam algumas características do meu trabalho. Para os que curtem, bom proveito!

Rosana

O texto da pesquisadora Dária Jaremtchuké bastante interessante ao tratar de açoes políticas na arte contemporânea brasileira, algo que penso estar em falta. Acesse http://www.concinnitas.uerj.br/arquivo/revista10.htm e bom proveito.

Outro link interessante é o que traz o texto da pesquisadora Joedy Bamonte, e este um “especial” muito legal sobre o meu trabalho (gostei muito). Ir para http://www.anpap.org.br/2008/artigos/028.pdf

Textos de minha autoria

Olá a todos,

Algumas pessoas tem perguntado sobre textos sobre o meu trabalho. Na realidade, havia prometido postar alguma coisa sobre isto.

Estou negociando com algumas pessoas para colocar seus textos sobre meu trabalho. Em alguns casos irei colocar links de textos interessantes sobre ele. Além disso, irei colocar alguns dos meus escritos, e começo com os textos abaixo.

Espero que apreciem.

Rosana

A RESPEITO DOS TRABALHOS EXPOSTOS
Este texto foi produzido para o catálogo do Panorama 97 – MAM SP, sobre, dentre outros, o trabalho abaixo.

Imagem da série Bastidores. Imagem transferida sobre tecido, bastidor e linha de costura. 30cm diametro. 1997.

Sempre pensei em arte como um sistema que devesse ser sincero. Para mim, a arte deve servir às necessidades profundas de quem a produz, senão corre o risco de tornar-se superficial. O artista deve sempre trabalhar com as coisas que o tocam profundamente. Se lhe toca o azul, trabalhe, pois, com o azul. Se lhe tocam os problemas relacionados com a sua condição no mundo, trabalhe então com esses problemas.

No meu caso, tocaram-me sempre as questões referentes à minha condição de mulher e negra. Olhar no espelho e me localizar em um mundo que muitas vezes se mostra preconceituoso e hostil é um desafio diário. Aceitar as regras impostas por um padrão de beleza ou de comportamento que traz muito de preconceito, velado ou não, ou discutir esses padrões, eis a questão.

Dentro desse pensar, faz parte do meu fazer artístico apropriar-me de objetos do cotidiano ou elementos pouco valorizados para produzir meus trabalhos. Objetos banais, sem importância. Utilizar-me de objetos do domínio quase exclusivo das mulheres. Utilizar-me de tecidos e linhas. Linhas que modificam o sentido, costurando novos significados, transformando um objeto banal, ridículo, alterando-o, tornando-o um elemento de violência, de repressão. O fio que torce, puxa, modifica o formato do rosto, produzindo bocas que não gritam, dando nós na garganta. Olhos costurado, fechados para o mundo e, principalmente, para sua condição no mundo.

Apropriar-me do que é recusado e malvisto. Cabelos. Cabelo “ruim”, “pixaim”, “duro”. Cabelo que dá nó. Cabelos longe da maciez da seda, longe do brilho dos comerciais de shampoo. Cabelos de negra. Cabelos vistos aqui como elementos classificatórios, que distinguem entre o bom e o ruim, o bonito e o feio.

Pensar em minha condição no mundo por intermédio de meu trabalho. Pensar sobre as questões de ser mulher, sobre as questões da minha origem, gravadas na cor da minha pele, na forma dos meus cabelos. Gritar, mesmo que por outras bocas estampadas no tecido ou outros nomes na parede. Este tem sido meu fazer, meu desafio, minha busca.

Rosana Paulino, 1997

A LENDA DA PEMBA

Pois é, estou estreando como ilustradora de livros infantis, junto com minha parceira Márcia Silva. Em breve colocaremos, como educadoras, algumas dicas sobre como utilizar melhor o livro e o material nele contido.

O legal é que se trata de uma lenda importante, que conta um pouco da Pemba, material sagrado nas religiões de matriz afro-brasileira. Então, é aproveitar a leitura.

Rosana